Meridiano de Sangue (Cormac McCarthy)

Cormac McCarthy disse certa vez que não conseguia gostar de autores que não escrevessem sobre os temas de vida e morte. Para ele, somente assim, consegue-se produzir um grande livro. Fiel à sua afirmação, Meridiano de Sangue é um livro sobre a vida e a morte, e também sobre o bem e o mal, juntando-se a uma lista de obras de tirar o fôlego que exploraram essa temática, como Coração das Trevas, Moby Dick e Grande Sertão: Veredas.

Em resumo, neste livro, acompanhamos a saga de um jovem, sem nome e referenciado apenas como ‘kid’, que se junta a um grupo de caçadores de escalpos em operação na fronteira entre Estados Unidos e México. Entre os vários personagens marcantes do grupo, sobressai a figura do Juiz Holden, um homem albino e sem pelos, de mais de 2 metros de altura, extremamente violento, mas também muito culto e cativante. Embora grande parte da crítica literária, enxergue, na sua criação, inspirações que McCarthy colheu do Capitão Ahab de Moby Dick ou do próprio Satã de Paraíso Perdido, recordou-me ele o Kurtz de Coração das Trevas.

Muito já foi dito sobre o excesso de violência na história e sobre a dificuldade do estilo de escrita de McCarthy. De fato, o livro é extremamente violento; com certeza, o mais violento dos que já li. Também seu estilo seco, a falta de utilização de vírgulas e travessões e uma ambiguidade proposital tornam a leitura um pouco mais difícil, mas nada que se compare a um Faulkner por exemplo. Meridiano de Sangue é um livro que pode ser lido por praticamente todos os leitores adultos com o mínimo de bagagem literária.

Outro aspecto do livro que pode causar alguma exasperação no leitor é a aparente ausência de uma trama ou argumento pelo qual a história pudesse evoluir. Durante a maior parte do livro, acompanhamos os principais personagens, membros de um grupo de caçadores de escalpos, em sua jornada pelo oeste americano e norte do México, enquanto atacam agrupamentos indígenas e mexicanos, cavalgam, acampam, embebedam-se, voltam a galopar… Ao leitor mais desatento, pode parecer que não há um objetivo ou “ponto” em todo o enredo.

Parece-me, contudo, que onde o livro realmente se mostra é nos detalhes da história, todos recheados de significados mais profundos esperando para serem descobertos. Há claras e obscuras referências à Bíblia, a Moby Dick, a Paraíso Perdido e a várias outras obras de literatura.

Por fim, para aqueles com algum conhecimento de inglês, recomendo duas ‘lectures’ disponíveis gratuitamente no youtube sobre a obra, e partes de um curso sobre Literatura Americana da Universidade de Yale. Para achá-las, basta pesquisar no youtube pela expressão “Blood Meridian (engl 291)”.

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