Kelvin, leitor

Na minha biblioteca, sobre a mesa de trabalho, descansa permanentemente um exemplar da minha dissertação, oferecida ao final de meu mestrado em teoria literária naquele tempo em que eu ainda era uma jovem estudante que contemplava o futuro profissional com apreensão. A Leitura como Força Criadora da Obra Literária foi o título que escolhi, ajudada por meu orientador. Raro é o dia que não abro esse velho volume encadernado e folheio as páginas datilografadas, repletas da mais entediante das prosas, e vejo quanto devo do que ali está a Kelvin. E, no entanto, não há menção a Kelvin nos agradecimentos, na dedicatória, ou em qualquer outra parte da bibliografia ou do texto. Roubei suas ideias, as fiz minhas por acreditar que me banharia sozinha na glória, busquei esquecer seu nome, mas terminei vendo serem esquecidos e ignorados meu trabalho, minha contribuição para a literatura e eu mesma. Só o que me restou é a culpa e um leve desejo de reparar essa apropriação, embora não haja provavelmente ninguém que vá se importar com um furto intelectual, quando esse crime apenas produziu um trabalho cujo destino era assegurar a meu nome um lugar no futuro da humanidade mas que se tornou irrelevante antes mesmo de mim.

O passado tem sido meu único companheiro neste presente que nada significa para mim e, à medida que o silêncio, o tédio infinito do nada, se aproxima, sinto crescer o desejo de colocar no papel os eventos que aqui vão descritos. Talvez não haja motivação psicológica outra que a esperança de que um pouco do mundo que conheci perdure após o meu desaparecimento e que, assim, parte do que fui possa habitar outras mentes. Devo ser tão breve quanto possível, se não por outra razão que a perene sensação de que os dias que passavam vagarosamente na minha infância são compostos de cada vez menos minutos e os poucos meses e anos que me restam possam ter a efetiva duração de algumas semanas. No instante da minha morte, que não tardará, o passado e o futuro se consumirão e eu retornarei à não-existência. A confecção destas anotações deve ser ligeira ou eu não sobreviverei, ainda que em ideia, ainda que parcialmente.

Em uma de minhas visitas a Kelvin, naquele período em que estava redigindo minha dissertação, ele me disse que, para garantir o maior número possível de leitores a uma criação, é interessante cogitar esconder uma dissertação em um romance ou um ensaio em um conto. Embaixo do abacateiro, enquanto fazia suas ideias minhas, não pensei seriamente em seguir seu conselho e vejo hoje que também neste ponto ele tinha razão. A aridez do texto técnico afasta muitos leitores porque nem todos são Kelvin. Um texto técnico só se relaciona com o leitor pela via intelectual, mas essa é apenas uma das vias de associações sinápticas de nossa mente. A prosa é mais interessante quando permite que o leitor seja estimulado tanto intelectualmente quanto emocionalmente. Talvez tenha sido este o meu equívoco, a razão última do esquecimento do meu trabalho: eu quis lhe dar um ar excessivamente intelectual e produzi um texto árido que buscou mais professorar do que ensinar, expor do que mostrar. Ao menos para falar de Kelvin, eu tenho que buscar nos meandros do meu inconsciente um pouco de lirismo, uma dose de inspiração, e com essas ferramentas reerguê-lo de seu túmulo e fazê-lo caminhar sobre os caracteres impressos.

Conheci Kelvin no meu bairro, mais especificamente no agrupamento de meninos que brincavam no quarteirão da minha casa. Bem defronte a meu portão havia um pedaço de asfalto suficientemente plano para permitir o futebol e outros jogos, e várias crianças desciam as ladeiras para se encontrarem ali. Pouco tempo depois, aquele menino que via correndo atrás da bola, entrando e saindo de garrafões desenhados no chão e descendo a parte mais íngreme da rua com um carrinho de rolimã, estava também na minha escola. Não demandei muito tempo para descobrir qual era a sua maior paixão. Quando eu me dirigia à biblioteca nos intervalos do recreio, Kelvin sempre estava lá, ora lendo, sentado ou em pé, ora percorrendo os corredores entre as estantes. A bibliotecária me informou, em uma ocasião, que ele pegava obras infanto-juvenis em uma manhã para devolver no dia seguinte e que seu registro pessoal de empréstimos já ocupava quatro fichas grampeadas. Fecho os olhos e transporto-me, por vezes, para essa minha distante infância e o vejo lendo em uma das mesas da biblioteca, seu rosto incapaz de ocultar seu profundo prazer, um deleite em apreciar algo cuja beleza era inacessível aos demais.

Mesmo adulto, quando ele já houvera percorrido a literatura mais complexa, Kelvin ainda se fascinava com a mais simples das ideias, o mais pueril dos argumentos, enxergando facetas inusitadas, descobrindo sentidos ocultos e, enfim, achando valor naquilo que eu seria adestrada a considerar subliteratura. Havia aí um interessante contraste com alguns dos literatos que conheci na faculdade, gente que, em consequência de tanto ler, parecia incapaz de apreciar a beleza de qualquer construção. Analisando retrospectivamente, penso que muitos já não gostavam de ler e prosseguiam em suas profissões por necessidade ou por desconhecer a possibilidade de outros caminhos. Kelvin, por outro lado, parado na sombra da árvore, apreciando o voo dos pássaros, sua espessa barba movendo-se com o vento, parecia conservar a mesma curiosidade entusiasmada de uma criança e me disse que ler, escutar e brincar de bonecos são atividades irmãs, pois pressupõe a transposição da ligação entre mente e corpo para nos permitir adotar o ponto de vista de outrem, ainda que imaginário. Você é melhor leitora do que imagina e isso se nota em sua capacidade de me escutar. Eu efetivamente sugava cada palavra sua e, logo que terminado o tempo de minha visita, anotava todas de que me lembrava e corria para casa para incorporá-las à dissertação que estava escrevendo.

Com cerca de dez anos, Kelvin começou a sofrer consequências negativas por sua invulgar capacidade. Era comum vê-lo parado totalmente absorto por vários minutos diante de um cartaz, de uma frase pichada em um muro ou de um pedaço de uma palavra que houvera sido parcialmente apagada do quadro-negro. Algumas crianças passaram a zombar dele e devo confessar que houve ocasiões em que tomei parte disso, mas ele não parecia se importar, prosseguindo mergulhado naquele mundo de símbolos e de significados a serem escavados. Seu interesse pela leitura crescera ao tomar não só o texto mas o próprio ato de leitura como objeto de contemplação. Kelvin não entendia por que ninguém mais parecia enxergar tanta beleza em variados textos que ele apreciava e começara a estudar a si mesmo com afinco.

Palavra é tensão que só se resolve com a sua decodificação. A solução desse problema, imperceptível para a maior parte das pessoas, causa uma minúscula euforia. A sucessão de tensões e distensões, de enigmas e respostas, é por si só extremamente prazerosa. Um bom texto substitui a tensão aliviada com novas angústias, as quais formam uma cadeia de frases que se agrupam em parágrafos que se juntam em capítulos: uma sucessão de nozes esperando para serem abertas com o instrumento adequado. Na tarde em que me disse isso, no jardim em que se davam nossas visitas, ele me entregou um pequeno papel no qual escrevera o nome de sua mãe e aquilo que acreditava ser seu último endereço, pedindo-me com a voz embargada que a procurasse para que ela pudesse vir buscá-lo. Do lado de fora do hospital, logo após anotar parte de nossa conversa, descartei o papelote que ele me confiara em uma lata de lixo.

Nunca visitei sua casa, mas sabia, como todos que o conheciam eventualmente terminavam sabendo, que Kelvin morava com sua mãe, uma entidade protetora que o seguia por toda parte e que lhe buscava controlar cada passo. O temperamento de Kelvin talvez tenha contribuído para isso. À medida que se aprofundava seu relacionamento com a leitura, ele se encantava, se emocionava e se maravilhava com maior facilidade. Três versos simples, uma pequena mensagem de inspiração ou mesmo uma notícia no jornal era o que bastava para lhe fazerem brilhar os olhos de contentamento. Vez por outra tentava convencer alguém que uma simples frase, dita com displicência, carregava múltiplos e ocultos sentidos. Não lhe importava que a própria pessoa que as tivesse formulado lhe dissesse que nunca pretendera dizer aquilo que ele vislumbrara em suas palavras. No seu entender, o significado de uma mensagem deveria ser buscado unicamente em seu conteúdo. Todo texto, não somente os ambíguos, é incompleto. Nem sequer um substantivo concreto como “sala” pode ser entendido sem que o leitor contribua com todo um arcabouço de significados que carrega em si. Quando lemos, despejamos tanto conteúdo em um texto quanto aquele que o criou. Toda obra literária é lacunosa, desejando ser integrada, e o leitor é seu coautor. Kelvin se tornava, dia a dia, um leitor excepcional que enxergava múltiplos, contraditórios e excludentes sentidos em cada texto que lhe era dado. Nem todos compreendiam os meandros de seu pensamento, contudo, e sua mãe, em uma ocasião, chegou a levá-lo a um médico por conta de seu exacerbado misticismo para fatos ordinários do dia-a-dia: tudo era muito profundo e nada era banal.

Nessa época, a turma de meninos que brincava em frente à minha casa já não contava com Kelvin. Ele se refugiara em seu mundo abstrato, habitando universos paralelos que lhe forneciam maior prazer sem riscos pessoais, e, por isso, passei a vê-lo somente dentro dos muros da escola. Os livros que agora carregava eram complexos demais para alguém de sua idade e atraíam a curiosidade de alguns professores que se perguntavam se ele era capaz de entender a integralidade daquelas obras. Estão equivocados aqueles que abordam a obra como entidade abstrata a ser analisada, como um enigma a ser resolvido. Não me parece que sua última essência sejam as características inertes do seu texto mas a percepção intelectual e emocional que o leitor tem dele. Um livro não é livro enquanto está na estante, pois ele só existe nos intervalos em que é lido. Não há separação entre a obra literária e o efeito que ela produz no leitor; a obra é o efeito.

Um dia, por fim, nossos caminhos se cruzaram de forma mais estreita. Tendo retornado de uma pequena viagem a um sítio da família, eu entretinha nos corredores da escola um grupo de amigas, contando algum episódio que acontecera comigo, quando notei que Kelvin parara atrás de uma das ouvintes, prestando desmedida atenção ao que eu dizia. Hoje, abandonado todo o absurdo orgulho da juventude, posso confessar que sua atenção me lisonjeou violentamente. Inventei fatos, distorci acontecimentos, criei situações absurdas, e, por fim, embriaguei-me na descoberta de que a implausível e absurda história que saía de minha imaginação lhe encantava. Há uma excessiva preocupação da crítica com o autor, um desnecessário endeusamento. Uma metáfora só é bela se ela pode ser entendida, e, para ser entendida, ela deve provir de uma associação replicável pelo leitor. Para descrever uma chuva, basta a palavra chuva, desde que o leitor e o escritor compartilhem uma mesma memória: a queda da água do céu. Para quem nunca viveu esse fenômeno, nenhuma quantidade de descrições será suficiente. Quando lemos, estamos lembrando. Mas, e a maravilha da interação está aí, quando lembramos, alteramos a memória que resgatamos.

Depois daquela manhã, passei a sentir a necessidade de recriar a prazerosa experiência de ter para mim sua atenção e houve várias ocasiões em que, conversando com amigos, elevei o tom de voz quando percebia Kelvin por perto de forma a inclui-lo no círculo de ouvintes. Eventualmente isso não mais me satisfez e passei a dirigir-me diretamente a ele, iniciando uma conversa casual apenas para entregar-lhe uma pequena anedota, uma história fabricada como se fosse verdadeira, um argumento mal costurado, que ele ouvia com grande prazer e atenção. Tornamo-nos amigos e que a nossa amizade se sustentasse em mentiras perturbou-me bem menos do que deveria. O escritor coloca sua memória no texto mas não é ela que o leitor enxerga, mas a sua própria. A comunicação só é possível na intersecção entre as duas lembranças. Esta é uma regra que se pode expandir para abarcar toda a humanidade: somente nos entendemos no que partilhamos; naquilo que temos de único estamos sempre ilhados.

Após nossa formatura do ginásio, fomos para escolas diferentes e isso nos separou. Três anos depois, eu iria ingressar na faculdade de letras, ao passo que Kelvin, o que somente posteriormente fiquei sabendo, não pôde continuar seus estudos além do segundo grau em razão das dificuldades financeiras que se abateram sobre sua mãe. Penso que a convivência com Kelvin me moldou de alguma forma definitiva e que minha escolha pelo mundo das letras pode ter sido determinada por nossa amizade. As diversas pessoas que conheci na faculdade, das mais às menos eruditas, surgiram-me em comparação com a memória que tinha dele como impostoras, indignas de se colocarem artificialmente em um pedestal de crítica literária. Eu conhecera um leitor extraordinário, o que ele via, o que ele percebia, o que apreciara, e nada daquilo que era discutido em minhas aulas conformava-se à minha pretérita experiência. Eu sonho em ver nascer uma crítica que não se pergunte como a infância do escritor influenciou na obra, mas como a infância de um leitor influencia a obra; uma crítica que não estude o que o escritor quis mostrar em certa passagem, mas o que o leitor usualmente vê em certa passagem; que entenda que não é o escritor que cria o leitor, mas o leitor que cria o escritor; que parta da óbvia premissa de que, apenas alterando-se o padrão de interpretação, altera-se uma obra; e que, ao cabo, não se deve se debruçar sobre um livro para entender o seu autor, mas se debruçar sobre a experiência do leitor para se chegar à verdadeira obra, que não é a que está vertida no papel, mas a que resulta da dupla colaboração entre quem escreve e quem lê e que, por tal motivo, só pode ser encontrada na mente do leitor.

Eu já houvera graduado em meu curso superior e iniciado meus estudos no mestrado quando tive notícias do seu paradeiro de alguns vizinhos. À época, meditava sobre uma possível abordagem para a minha dissertação e me recordei de um livro que Kelvin me mostrara nos anos de ginásio. Era uma edição surrada de Sagarana na qual ele havia lançado marcas segundo o fluxo de sua leitura: um ponto bem traçado pela caneta designava um momento em que ele contemplara um pensamento e interrompera brevemente a história; uma seta à esquerda indicava que ele havia voltado atrás para reler uma passagem particularmente interessante; o sublinhado simples fora aplicado aos trechos lidos com bastante vagar; e o duplo sublinhado marcavam as passagens em que a velocidade de leitura se intensificara. Essa me parecera uma forma bastante peculiar de se estudar a influência de uma obra no leitor e indaguei pelo bairro em que morávamos por notícias de Kelvin. Soube, então, que ele estivera, até três meses antes, morando sozinho na mesma casa que habitara com sua mãe e que sofrera um acidente. Em uma manhã como outra qualquer, Kelvin se dirigia à livraria de usados em que trabalhava, lendo enquanto caminhava, quando foi atropelado por um ônibus. Munida das indicações de seu estado e de em qual hospital se encontrava, fui visitá-lo. A página de um livro é o melhor método para silenciar o ruído de nossas preocupações. Observe: feche os dois olhos e você verá a escuridão, mas feche um único olho e nele você não verá nada.

Encontrei um Kelvin abatido, sentado em um banco sob a sombra do abacateiro. Eu não o via desde o fim do ginásio e me espantei com sua transformação em um homem que, por conta da barba por fazer, parecia ainda mais velho do que era. Os funcionários do hospital o haviam alertado de minha chegada mas ele não parecia me reconhecer. Descobri que sua memória havia sido afetada pelo acidente e que ele não se recordava de praticamente nada de seu passado. Disse-lhe meu nome, de onde nos conhecíamos, mas nada disso parecia significar algo para ele. O Kelvin sentado a meu lado em nada se assemelhava ao vibrante e curioso garoto que conheci e tive ganas de lhe alterar o destino, de recolocá-lo no rumo do qual jamais deveria ter se desviado por um descuido. Recordando-me de como ele me ouvia atentamente quando éramos jovens, pus-me a lhe contar tudo o que agora coloco no papel: seu passado, o leitor excepcional que era, o tanto que ele ainda poderia colaborar com a literatura. Kelvin ouviu avidamente cada uma de minhas palavras e metamorfoseou-se em minha frente, desfazendo-se de sua melancolia. Sua existência, vazia de passado e de sentido, preencheu-se novamente de esperança no futuro e ele me confidenciou que sua excessiva emotividade causada por certas palavras ditas por funcionários do hospital ou por um filme ou novela que assistia na televisão fazia mais sentido agora que tinha uma noção de quem era. Para dar alguma concretude a tudo que lhe falara, presenteei-lhe na semana seguinte com uma cópia usada de Sagarana na qual eu havia colocado marcas semelhantes àquelas que ele inventara e lhe disse que eram suas. Esse livro trouxe-lhe grande conforto e, em uma de minhas visitas futuras, ele me confidenciou que passava muito tempo analisando os apontamentos, não só para estudar a obra, mas para compreender o que ele houvera entendido do livro e, por triangulação, chegar um pouco mais próximo de quem ele era. O leitor é o contador de histórias de si mesmo e pouco percebe a grandiosidade do que realiza. Ele é o que ilude e o que é iludido, o que hipnotiza e o hipnotizado, o problema e a solução, a tensão e o alívio. O grande milagre não é a voz que nos fala em nossa mente mas o ouvido que a escuta. Passei a visitá-lo regularmente e assisti ao seu renascimento como Kelvin, o leitor. Nossos encontros possibilitaram-me recolher suas ideias, apropriar-me delas e colocá-las em minha dissertação sem qualquer menção à sua fonte.

Minha convivência com Kelvin, embora prazerosa, estava destinada a eventualmente terminar. Poucos dias antes do prazo final para depositar meu trabalho na faculdade, em uma tarde que poderia ter sido triste e chuvosa mas que de fato era decorada por um céu de puro azul, ingressei pela última vez no hospital para vê-lo. Como visitante rotineira, os funcionários do sanatório não julgaram necessário avisá-lo de minha chegada e avistei-o no jardim sem que ele pudesse me ver. Kelvin estava deitado na grama, olhando para o céu. Sobre a sua cabeça voavam algumas andorinhas em elaboradas manobras. Suas reviravoltas assemelhavam-se ao traçado de uma irregular caligrafia e os leves movimentos dos lábios de Kelvin me revelaram que ele estava lendo aquele poema composto pela natureza. Grossas lágrimas escorriam em seu rosto e eu me retirei silenciosamente para não perturbá-lo. Caminhando para a saída, ocorreu-me que uma de suas frases incorporada a meu trabalho nunca me parecera tão verdadeira. Ao cabo, não é o autor que enfeitiça o leitor, mas o leitor que em uma auto-hipnose encanta a si mesmo. Deixei o hospital sem lhe dizer aquilo que pretendia lhe revelar em nosso último encontro: que sua mãe falecera dois anos antes de seu acidente e que ele se encontrava irremediavelmente sozinho.

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