Movimento Grandioso, poema épico, e suas Traduções

Jorgi Virgilico nasceu em Mar de Espanha, Minas Gerais, em 1930 e morreu na mesma cidade 77 anos depois. Fora isso, criou o poema épico Movimento Grandioso, considerado pela maioria dos que o estudaram como a mais inovadora obra literária do Século XX. Sua vida e sua obra, à medida que o Movimento Grandioso ganha crescente notoriedade, têm sido objeto de escrutínios cada vez mais rigorosos.

Na sua infância em Mar de Espanha, por conta de sua surdez congênita, Jorgi Virgilico aprendeu inicialmente a língua de sinais e posteriormente alfabetizou-se e veio a compreender e se expressar com fluência e profundidade em português.[1] Seu interesse por língua e literatura revelou-se desde cedo e são vários os relatos de que compôs inúmeros poemas no idioma gestual ainda no primário escolar.[2] Infelizmente, essas peças originais de sua composição, assim como inúmeras outras que viria a realizar no futuro, perderam-se para sempre por não terem sido registradas.

Quando surgiram oportunidades mais à frente, Jorgi Virgilico abraçou todas aquelas que lhe permitiram estudar fora de sua cidade natal e foi assim que se graduou em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, no ano de 1955, e concluiu mestrado na Universidade de Coimbra em 1959. Por fim, regressou à sua terra natal de Mar de Espanha, trazendo consigo os conhecimentos acumulados sobre linguística e literatura, a fluência em inglês e francês e o entendimento parcial de italiano e alemão. Nas horas vagas dos estudos, teve ainda a oportunidade de aprender outras línguas de sinais e essa visão da variedade de formas de expressão revelou-se valiosa para a composição de suas obras da maturidade.

Não sendo o objetivo deste artigo, não me detenho sobre sua vida pessoal além dos detalhes necessários para a contextualização do Movimento Grandioso e para a apreciação das tentativas de tradução de seu poema épico. Jorgi Virgilico se casou em 1963 e teve dois filhos, estabelecendo sua residência definitiva em Mar de Espanha, onde lecionava na escola primária por profissão.[3]

Apenas a partir de 1970 e da chegada de aparelhos de gravação visual a Mar de Espanha, inicia-se o registro do trabalho poético de Jorgi Virgilico. No acervo que hoje se encontra na biblioteca central do Estado, o pesquisador pode encontrar algumas dezenas de poemas de sua autoria, originalmente armazenados em rolos de filme ou fitas VHS e recentemente transportados para diversas mídias digitais. As rimas e a sonoridade[4] são fortes em sua poesia e são obtidas pela utilização de posições manuais similares e pela alternância e encadeamento de movimentos de expansão e de retração, de ascensão e descenso e de aproximação e afastamento do intérprete. Também são marcas da poética de Jorgi os sinais de duplo sentido e o neologismo, o que torna o entendimento de sua obra difícil até para os fluentes na língua gestual.

Entre essas obras iniciais de sua carreira, merece especial destaque sua tradução do Jabberwocky de Lewis Carroll para a língua de sinais. No campo da experimentação artística, data da mesma época sua composição Duas Verdades, na qual, rompendo com toda a tradição poética das línguas faladas, usa de suas mãos em movimentos independentes para produzir um texto lírico com duas vozes simultâneas, as quais, embora tratem de assuntos diversos, rimam sinais entre si e convergem, ao final, a uma mesma conclusão.[5]

Essas peças iniciais, revolucionárias e surpreendentes por si só, terminaram por serem ofuscadas por sua obra-prima, o poema épico Movimento Grandioso, composto e gravado em filme no ano de 1975. Pouco antes, Jorgi Virgilico havia decidido adotar como pseudônimo literário um sinal criado especialmente para esse fim, que não encontra correspondência com qualquer nome próprio ou palavra do idioma falado[6]. Parece-me que, prenunciando a ruptura que realizaria com seu histórico poema, Jorgi buscava se distanciar propositalmente das amarras das línguas faladas para trilhar estradas não exploradas.

O Movimento Grandioso é dividido em 13 movimentos, como Jorgi os chamava, os quais correspondem aos cantos da poesia épica clássica. Cada movimento foi gravado separadamente em filme e juntos somam 15 horas de exposição. O final de cada verso encontra-se bem marcado por uma pausa e cada verso é composto de dez sinais. Já o número total de versos no poema ainda é objeto de intenso debate entre os estudiosos. A um olhar literal, pareceria que cada movimento é composto de 555 versos, totalizando o poema 6.105 versos, mas a questão não é tão simples. Em uma quantidade de passagens que ainda é incerta, Jorgi Virgilico utiliza-se da técnica que já usara em Duas Verdades para multiplicar a voz poética. Aqui, contudo, essa técnica recebe um grau maior de complexidade, visto que um mesmo sinal apresenta um significado quando as mãos são examinadas em conjunto, mas também pode ser entendido como duas expressões poéticas distintas que se materializam separadamente na mão esquerda e na mão direita. A voz narrativa não somente se bifurca, mas se desdobra em tese, antítese e síntese simultâneas.

O tema do Movimento Grandioso é o mesmo de clássicos da poesia épica: a viagem ao lar, no caso, o retorno de um inominado protagonista à sua cidade natal de Mar de Espanha.[7] Mas, se toda viagem é um movimento, o poema épico de Jorgi Virgilico é duplamente movimento: primeiramente em seu tema do retorno e também na necessária movimentação do corpo para a produção dos sinais da língua gestual. O poema e seu protagonista empreendem assim um movimento simultâneo e trilham o mesmo caminho marcado pelos versos, os quais, se aqui e ali se subdividem, é porque os percursos da vida e da literatura são vários. Após inúmeras provações, o protagonista retorna a Mar de Espanha para, só no último verso do poema, ser revelado ao leitor uma característica fundamental que houvera sido omitida mediante o emprego de uma ambiguidade proposital: sua surdez.[8] Essa revelação só produzia efeito, como bem acentuou a crítica, na medida em que Jorgi Virgilico usa para seu proveito da preconcebida ideia da normalidade da escuta e do idioma falado.[9]

A extensão e a complexidade do Movimento Grandioso fizeram com que seu reconhecimento como peça literária de grande valor não se desse de imediato e foi somente em meados de 1986 que cópias em VHS de Jorgi Virgilico interpretando o poema começaram a aparecer em círculos literários restritos e os primeiros artigos abordando a obra foram publicados em revistas literárias.[10] A partir daí, sua ascensão ao ápice da literatura foi rápida e, no mesmo ano de 1986, surgiu a primeira tradução do poema, na forma de uma legenda aplicada a algumas cópias do épico.

Essa tradução de autoria anônima padecia de dois graves erros, quais sejam a sua literalidade, desconsiderando todos os aspectos de rima e métrica, neologismos e silogismos, e a adoção como seu único objeto da voz poética principal. A despeito das limitações, serviu a seu propósito de dar uma ideia, ainda que pálida, do conteúdo do poema àqueles incapazes de entender a língua gestual.

Permanecia o desafio de fazer nascer uma tradução que transportasse todo o conteúdo do poema, sua métrica, rima e multiplicidade de vozes narrativas para o português. Muitos consideravam esse objetivo impossível, entre eles Jorgi Virgilico, quem, embora nunca tivesse desestimulado as tentativas de tradução, julgava ser essa uma missão destinada a falhar.[11] Inúmeras dificuldades atrapalharam o caminho dos que tentaram ter êxito nessa empresa e foi apenas a partir de 1992 que surgiram e foram publicadas traduções do Movimento Grandioso em forma poética. Entre todas, a que alcançou maior popularidade e respeito da crítica especializada é a de Luciano Rubens Prestes, publicada em 1998. Essa tradução, designada por paráfrase por muitos críticos, trouxe a lume um belo poema em versos dodecassílabos, com bastante sonoridade e métrica. Os trechos das vozes poéticas múltiplas foram apresentados como versões alternativas devidamente explicadas em notas de rodapé. Infelizmente, para criar essa tradução poética, Luciano Rubens Prestes teve que mudar o conteúdo de diversas passagens, o que afastou razoavelmente esse trabalho do sentido original pretendido por Jorgi Virgilico.

O ano seguinte, 1999, viu nascer um trabalho de tradução de imenso ineditismo. Henrique de Marçal trouxe à capital do Estado uma tradução do Movimento Grandioso em forma de um espetáculo de dança, desacompanhado de músicas ou recitações, com duração idêntica ao poema, 15 horas, que teve que ser encenado em cinco dias consecutivos. Antes desse trabalho, Henrique de Marçal já houvera realizado uma tradução da Odisseia, substituindo os diversos fonemas do grego clássico por notas musicais e dando ao mundo uma bela e extensa sinfonia a partir das palavras de Homero. Muitos são os estudiosos que resistem, erroneamente a meu ver, em classificar o trabalho de Henrique de Marçal como tradução. Para mim e para tantos outros, esse espetáculo de dança foi uma transposição tão perfeita quanto se possa esperar da forma do poema épico, com sacrifício de seu conteúdo, e é o perfeito contraposto às traduções literais do Movimento Grandioso.[12]

Por fim, oito anos depois, o mundo literário recebeu a tradução considerada a definitiva para o poema. Fruto de um trabalho de quinze anos do tradutor e linguista Horácio Bianco, foi publicada em 2007 em dois volumes, compostos do poema traduzido e do dicionário e gramática do idioma construído especialmente para essa transposição.[13] Essa língua artificial, batizada de Virgilicês pelo tradutor, foi idealizada em cima de três premissas relativamente simples. A primeira é a de que termos com expressão manual similar na língua gestual deveriam ter sonoridade similar nesse idioma. A segunda é que termos designados pelo mesmo gesto na língua de sinais deveriam ser representados pela mesma palavra no idioma construído. Por fim, as regras gramaticais dessa língua artificial deveriam seguir, tanto quanto possível, aquelas que são próprias do idioma de sinais. A parte mais trabalhosa e demorada dessa tradução foi, sem dúvida, a construção da linguagem artificial, mas, uma vez pronta, aqueles que não eram fluentes em língua gestual puderam, pela primeira vez, apreciar a riqueza de significados e sonoridade do poema de Jorgi Virgilico.[14]

Infelizmente, essa tradução de Horácio Bianco surpreendeu Jorgi Virgilico já em frágil estado de saúde e, por isso, incapaz de lê-la e apreciá-la. Julgo, todavia, que, caso tivesse condições de analisá-lo, teria dado a esse trabalho o justo reconhecimento que merece e apreciaria o fato de que seu poema nunca estivera tão acessível àqueles que não eram capazes de entender a língua gestual.[15] Em seus últimos anos, Jorgi Virgilico passara a produzir cada vez menos e buscara aproveitar os prazeres simples da vida junto a seus familiares e amigos. Parece-me que, com o reconhecimento cada vez maior de sua obra, satisfazia-se em ter elevado a língua de sinais ao local por ela merecido no panteão da literatura.[16]

Como toda epopeia, a sua vida eventualmente deveria encontrar seu ponto final. No ano de 2007, dois meses após a publicação da tradução de Horácio Bianco, Jorgi Virgilico, aos 77 anos de idade, veio a falecer em sua residência na cidade de Mar de Espanha. Segundo relatos de familiares, sentindo o avanço da morte, tentou gesticular uma última frase, mas já não tinha forças para tanto. Suas palavras derradeiras perderam-se na incompreensão.[17] Somente a morte, como destino final de sua jornada, pôde fazer retornar ao silêncio a grande poetisa.

 


[1] “Penso que a maior diferença entre a linguagem de sinais e as línguas orais não está na dicotomia entre as formas de transmissão da informação, auditivo nestas e visual naquelas, mas na violência do som e na cortesia do sinal. A sentença de uma língua oral atinge o receptor mesmo de costas, mesmo afastado em seus próprios pensamentos; ela o invade sem consideração ou respeito a seu eventual desejo de ser deixado em paz. Já a comunicação em língua de sinais só tem como acontecer se o receptor da mensagem estiver disposto a recebê-la. Ela é pacífica e inclusiva. A necessidade de cativar aquele a quem me dirijo, conquistar-lhe e prender-lhe a atenção, é uma característica da linguagem gestual que busquei também levar para a comunicação em idiomas verbais.” (VIRGILICO, Jorgi. Ritmo: Ensaios. 1982)

[2] “Uma das questões que tive que responder tantas e tantas vezes era a possibilidade de realização de poesia em um idioma sem sons. Depois de tentar diversas abordagens, adotei como resposta padrão bater palmas silenciosamente e produzindo sons em uma demonstração prática de que o ritmo é um fenômeno físico independente do ruído.” (VIRGILICO, Jorgi. A Luz e o Toque, memórias. 1989)

[3] “A poesia em gestos pressupõe uma expressividade corporal irmã das artes performáticas. Embora eu não tenha tido oportunidade de praticar ou estudar artes cênicas, o magistério foi meu curso de teatro. Há técnicas que são assimiladas na sala de aula sem que se perceba conscientemente e que permitem manter o corpo de alunos interessado e engajado. Assim como um mágico, quem ensina e quem verseja devem conduzir as atenções do público para determinadas direções, alimentando-o com algumas informações e escondendo-lhe outras para maior efeito e interesse.” (VIRGILICO, Jorgi. A Luz e o Toque, memórias. 1989)

[4] “Sonoridade, ritmo, leitor, rimas, acentos, tonicidade: são muitos os termos poéticos que parecem ligados em demasia às línguas orais para serem aplicados à poesia em sinais. Há duas soluções possíveis. Pode-se criar uma nova terminologia, substituindo leitor por receptor por exemplo, ou se pode prosseguir usando os mesmos termos, ampliando, contudo, seu significado. Essa última solução tem a vantagem de não criar uma distância artificial entre essas duas expressões poéticas.” (VIRGILICO, Jorgi. Ritmo: Ensaios. 1982)

[5] “Toda a minha jornada de experimentação girou em torno da busca por formas de expressão possíveis em língua gestual e inalcançáveis nos idiomas orais. Enquanto muitos se preocupavam com aquilo que não seria viável fazer no idioma de sinais, eu me interessava por aquilo que somente livre das amarras do som poderia vir a existir. Ocorreu-me eventualmente uma epifania: a laringe é única, mas as mãos são duas. A maior limitação de toda a literatura verbal é a impossibilidade simultânea de múltiplas vozes narrativas ou líricas.” (VIRGILICO, Jorgi. Introdução ao Movimento Grandioso. 1991)

[6] “Como agrupamento minoritário, os usuários das línguas gestuais têm a clara dimensão da artificialidade da escolha de um sinal para representar um significado. A mesma arbitrariedade está presente em todas as línguas orais, mas seus usuários parecem não conseguirem ou desejarem reconhecer essa realidade. Essa é a causa da permanente hesitação na escolha de sons para traduzir algum sinal da língua gestual sem correspondente na língua verbal, como se alguma entidade superior devesse comparecer para apontar a palavra ‘rosa’ como a perfeita e única possível abstração da flor.” (VIRGILICO, Jorgi. Ritmo: Ensaios. 1982)

[7] “Mar de Espanha, pequena, esquecida na fronteira sul, é uma nota de rodapé no mapa de Minas Gerais. Nesta nota de rodapé habito e é para ela que devo sempre retornar.” (VIRGILICO, Jorgi. A Luz e o Toque, memórias. 1989)

[8] “A língua é parte tão importante da identidade de um povo que o inominado protagonista do Movimento Grandioso pode ser considerado um estrangeiro em sua terra natal. Sua viagem de retorno ao lar não passaria assim de artificial construção; não há lar esperando por ele e, como Caim, ele deveria errar infinitamente pela superfície desta esfera.” (VIRGILICO, Jorgi. Introdução ao Movimento Grandioso. 1991)

[9] “A respeito da surdez do protagonista do Movimento Grandioso, muitos falharam em perceber que, em nenhum momento, eu enganei o receptor (leitor) por fornecer-lhe alguma informação que o fizesse acreditar que aquele personagem podia escutar. É o receptor quem engana a si mesmo, pressupondo algo que rigorosamente não pode ser extraído do poema. O Movimento Grandioso funciona assim como um espelho que revela àqueles que têm a coragem de encarar seu reflexo a verdadeira natureza de suas preconcepções.” (VIRGILICO, Jorgi. Introdução ao Movimento Grandioso. 1991)

[10] “O rápido avanço da medicina e, em especial, da genética, pode trazer um novo mundo em que não haverá mais surdez. Neste utópico futuro, a língua de sinais se colocará ao lado dos idiomas mortos como engenhosa mas fugaz criação humana. Espero que neste mundo ainda haja alguém a estudar e apreciar a beleza de tudo o que foi concebido e expresso por gestos, pois, só assim, pode-se esperar que continuem se expressando, rindo, chorando e gritando as vozes de tantas almas que, como a minha, se recusaram ser silenciadas pela morte.” (VIRGILICO, Jorgi. Ritmo: Ensaios. 1982)

[11] “A poesia verbal está por demais ancorada no texto escrito, tendo se afastado de sua origem trovadora e musical, para entender que um poema em língua de sinais é mais do que seu conteúdo. Tanto sentido pode ser derivado da atuação do poeta que, com a mera mudança da intensidade da gesticulação, é possível que se mude todo o entendimento da obra.” (VIRGILICO, Jorgi. Ritmo: Ensaios. 1982)

[12] “A imitação desajeitada e caricatural da língua de sinais por outras crianças de minha cidade natal não me magoou tanto quanto o rótulo de linguagem primitiva que alguns literatos orgulhosamente declaravam, ou veladamente ocultavam, mas permitiam entrever em suas simplistas opiniões.” (VIRGILICO, Jorgi. A Luz e o Toque, memórias. 1989)

[13] “A construção das línguas francas artificiais, da qual o Esperanto, convenientemente montado em uma base indo-europeia, é o mais famoso exemplo, deixou para trás, ao insistir na oralidade, toda uma significativa parcela da população. Não se cogitou ali da viabilidade de um idioma artificial não verbal.” (VIRGILICO, Jorgi. Ritmo: Ensaios. 1982)

[14] “O fato de que vários sinais evocam direta ou metaforicamente o próprio ato ou objeto que designam faz da língua gestual o idioma poético por excelência e torna irreplicável nos idiomas orais essa junção absoluta entre o significante e o significado.” (VIRGILICO, Jorgi. Ritmo: Ensaios. 1982)

[15] “A celebração do establishment literário a meu poema épico pode ser vista como um justo reconhecimento a meu trabalho mas, também, como uma reafirmação da superioridade da literatura verbal, aí incluída a sua pretensa capacidade de identificar, separar e glorificar as obras destinadas a serem alçadas à divina condição de clássicos.” (VIRGILICO, Jorgi. Introdução ao Movimento Grandioso. 1991)

[16] “Gostaria de acreditar que, em um inevitável porvir, as línguas de sinais ultrapassarão sua natureza de apêndice a um idioma oral, como se a multiplicidade e ausência de hierarquia entre as vozes poéticas do Movimento Grandioso se transportasse do mundo literário para o real. Nesse futuro, nossa voz teria posição central e não seria mais relegada à marginália da história.” (VIRGILICO, Jorgi. Introdução ao Movimento Grandioso. 1991)

[17] “Por toda a vida, a dor da minha condição foi acompanhada pela saudade daquilo que não conheceu: o som do gemido que causara.” (VIRGILICO, Jorgi. A Luz e o Toque, memórias. 1989)

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