Duas versões da Borboleta Atíria

Eu já esclareci em outro post (aqui) que, em razão dos laços emocionais que prendem as pessoas da minha geração à Série Vaga-Lume, passei a procurar em sebos alguns livros a ela ligados. Aquilo que eu busquei especialmente eram edições dos livros da série antes que fossem os livros da série e exemplares autografados. Naquele texto, mostrei a primeira edição de O Escaravelho do Diabo e dois livros autografados pela autora, Lúcia Machado de Almeida. Desejando continuar um pouco a mostrar a todos os que são fãs da Vaga-Lume alguma coisa interessante, aproveito agora para escrever sobre uma outra obra da mesma autora que fez sucesso na coleção: O Caso da Borboleta Atíria.

Muitos conhecem o livro como editado pela Editora Ática na Coleção Vaga-Lume, mas desconhecem que ele teve duas versões anteriores. Originalmente, o livro saiu com outro título, Atíria, a Borboleta, pelas Edições Melhoramentos. O meu exemplar não traz qualquer menção à data de publicação e não pude resolver esse mistério pela internet. Nada me resta senão estimar que ele deve ter sido publicado em meados da década de 1950. Uma das coisas que me impressiona nessa primeira edição é a beleza da capa e a presença de inúmeras ilustrações coloridas que acompanham a história, feitas por Hilda Bennett, algo que seria incompatível com a política de preço competitivo da Vaga-Lume.


A segunda edição sairia em 1960 por outra editora, a Brasiliense. Assim como a primeira, esta também veio em capa dura e em formato bem diferente daquele que o livro teria na Série Vaga-Lume. O interessante é que este volume veio com desenhos de um ilustrador diferente, Paolo Vasta. Tive a sorte de encontrar um exemplar com autógrafo da própria Lúcia Machado de Almeida:

Depois dessas duas edições, o livro só reapareceria na década de 1970, dentro da Série Vaga-Lume. Enquanto faço este post, percorro a internet e vejo que não há qualquer exemplar da primeira ou da segunda edição à venda, o que reforça a validade do conselho de Mindlin de que o amante de livros só se arrepende dos livros que não comprou. Pelo menos é o que digo a mim mesmo para justificar a aquisição de um livro que não fez parte da minha infância, que não li e provavelmente não lerei, já que o conheci nessas procuras pelos sebos quando já adulto. Trata-se da continuação da história de Atíria, Atíria na Amazônia, publicado em 1992 com ilustrações de Roger Mello. O meu exemplar tem um autógrafo já trêmulo de uma Lúcia Machado de Almeida com 82 anos de idade.

 

Em outra oportunidade, espero poder continuar contando e mostrando algo da Série Vaga-Lume.

 

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