A livraria Alexandra em Budapeste

Toda vez que viajo para uma cidade desconhecida tenho o hábito de consultar quais são suas melhores livrarias. Foi assim que descobri a Alexandra Bookcafé na Andrassy ut 39 em Budapeste. Apesar de não ler uma palavra de húngaro, posso dizer que foi amor à primeira vista.

A primeira peculiaridade que me chamou a atenção logo na entrada era que estavam expostos à venda vários tipos diferentes do vinho Matias. Até então não me recordava de nenhuma livraria que comercializasse  vinho. Não estou falando de servir vinhos no café, estou falando de se expor no mesmo espaço que estão livros diversas garrafas de vinho que não seriam consumidos no local.

Alexandra Book Café Budapeste (4)

Bem, apesar de até então não conhecer uma palavra em húngaro não pude deixar de perceber na estante de ficção científica uma coletânea de contos do Asimov. Por perto, em cima da mesa, encontro uma edição de O homem do castelo alto, livro que reconheço pelo nome do autor e pelo desenho com uma suástica na capa. Após me divertir um pouco tentando descobrir os títulos dos livros, resolvo subir a primeira escada, encontrando logo à esquerda a seção de livros estrangeiros.

Descubro que a mesma coleção que a Leya vem publicando no Brasil com o título Entendendo: um guia ilustrado é bem mais completa em inglês com o título Introducing: a graphic guide. Dos inúmeros títulos disponíveis me interesso especialmente por um sobre teoria do caos e por outro sobre James Joyce.

Ao fundo percebo o som do Piano que vem do café. Chega de saudade. Começo a perceber que no primeiro dia já vou sentir saudades de Budapeste. Após folhear alguns dicionários, adentro ao Bookcafé.

O teto, ricamente pintado lembra a Livraria Atheneo Grand Splendid em Buenos Aires. Peço um Bookcafé Coofe e uma Castle Tart. Tanto o café especial coberto com chantilly como a torta estão deliciosos. O cardápio musical também é esplêndido. What a wonderful world, Michelle,My way  e Besame mucho, sempre intercalada com alguma do Tom Jobim.

Após a refeição, resolvo brindar com uma cerveja. O garçom me informa que só tem uma cerveja local. É a Dreher. Curiosamente o rótulo vem esculpido na garrafa e não colado. Antes de me despedir pergunto à garçonete como se fala obrigado em húngaro. Köszönöm eis a primeira palavra que aprendi em húngaro.

Após deixar o café vejo que um vendedor está lendo um guia de viagem de Olaszország. Para não morrer de curiosidade, pergunto ao mesmo que país é este. Itália responde ele, sem estranhar minha surpresa com Olaszország. Após me explicar que ország é país, afirma: o húngaro é uma língua difícil.

Após mais algumas perguntas sobre livros escritos em húngaro, descubro que livro ékönyv. Saio de lá com uma edição da revista Alexandra könyvjelzó editada pela própria livraria. Resolvo não comprar nada, mas ao contrário do ato falho de Freud, a ausência foi proposital. Preciso de uma desculpa para voltar. Arrivederci Alexandra. Sure I will be back!

facebooktwittergoogle_plusmail